A ARGÉLIA HOJE
A Argélia ocupa uma posição central no Magrebe, em África e no Mediterrâneo, quer pelas suas características geográficas e económicas quer pelas suas constantes sociais e culturais.
É assim que ela se encontra na encruzilhada das mais poderosas e variadas correntes civilizacionais que modelaram a história de um dos países mais prestigiosos do mundo.
O contributo dinâmico que a Argélia deu ao progresso das nações vizinhas, deve-se tanto à vontade dos seus homens de o fazer perdurar para sempre, terra de liberdade, como às dimensões e traços particulares da sua morfologia, à disposição original do seu relevo, à situação diversificada dos seus recursos.
Caleidoscópio de riquezas contrastadas, é assim que a Argélia se apresenta, atravessada por maciços e altos planaltos, por planícies estreitas e imensas zonas desérticas e banhada, numa extensão de 1200 Km, pelo Mediterrâneo que rebenta na costa abrupta e pouco acessível.
Os geógrafos descrevem-na como um pentágono alongado, de direcção meridional cobrindo uma superfície de 2.381.741 Km2, dos quais 2.000.000, são ocupados pelo Sahara, esse quadrilátero que constitui uma parte importante de um deserto que se estende até à Península arábica.
Esta superfície onde as distâncias entre o Norte e o Sul, o Este e o Oeste, variam entre 1.500 a 2.000 Km, é , depois do Sudão, o mais vasto país africano e árabe, limitado a Este pela Tunísia e a Líbia, e a Oeste por Marrocos, a Sudoeste pela Mauritânia e a República Árabe Sahraouie e a Sul pelo Mali e pelo Niger.
O seu território, que se estende entre os 18º e os 38º de latitude Norte, e entre os 9º de longitude Oeste e os 12º de longitude Este (o meridiano internacional 0º Greenwich passa perto de Mostaganem), está colado num molde, de relevo muito típico, dividido entre o Norte em grande parte mediterrânico dominado pelo Atlas Tellien, e um Sul desértico ladeado pelo Atlas do Sahara.
O NORTE, UM PAÍS DE TERRAS ALTAS
O Norte da Argélia, que agrupa o Tell e as zonas de estepes, maior em latitude (1.000 Km) que em longitude, é um país de terras altas onde a altitude média é de 900 m : as altas planícies enquadradas pelas cadeias montanhosas dos dois Atlas diminuem de Oeste para Este de 1.000 para 600 m, enquanto que os pontos elevados dos maciços culminam nos Aurés com 2.328 m no Monte Chélia e em Djurdjura com 2.308 m no Monte Lalla Khadidja.
Encontramo-nos assim na presença de quatro conjuntos alinhados paralelamente
O primeiro conjunto compreende os maciços de Dahra, de Djurdjura e de Edough que se estendem de Oeste a Leste e enquadram as planícies de Oran, de Mitidja, de Annaba e de Skikda.
O segundo conjunto engloba os montes Tlemcen, Beni-Chougrane, Ouarsenis, Bibans, Babors e o maciço de Collo, que se estendem igualmente de Este a Oeste sobre a mesma linha.
O terceiro conjunto situa-se entre os dois Atlas com as Altas planícies de Constantine a Este e os grandes espaços de estepes de Sul a Oeste.
O quarto conjunto é constituído pelo Atlas do Sahara e do deserto.
O SUL, UM DESERTO DOMINADO PELO HOGGAR
Três linhas principais caracterizam o relevo do Sahara:
A primeira traça a vasta trama dos planaltos de lajes chamadas hamadas com Guir e Drãa.
A segunda desenha três grandes bacias rodeadas de dunas, o Erg oriental, o Erg ocidental e o Erg Chech.
A terceira é marcada pelo imponente relevo de Hoggar com o cume mais elevado da Argélia com o Tahat a 3003 m de altitude.
Com efeito existem dois Saharas:
Um Sahara no Noroeste, com as cadeias plissadas do Atlas, e um Sahara do Sudeste, com o escudo de Hoggar e o Tassili dos Ajjers. Entre os dois, uma diagonal Sudoeste-Nordeste com o Reg de Tanezrouft, o planalto de Tadmait e o Chott Melghir.
A paisagem sahariana organiza-se à volta:
do Reg, que é uma vasta extensão de rochedos
do Erg, que é uma larga extensão de areia (1/5 do Sahara)
do Hammada, que é uma grande superfície de calcários
da montanha, de origem cristalina ou de formação vulcânica
das sebkhas, ou bacias fechadas à volta das quais se desenvolvem as culturas